16/03/2026 21:12 (UTC)
Madri, 16 mar (EFE) - O rei Felipe VI da Espanha declarou nesta segunda-feira, em Madri, que houve "muitos abusos" na conquista da América e afirmou que, quando certos eventos são estudados e compreendidos com os critérios e valores atuais, "obviamente não podem nos encher de orgulho", embora tenha dito que devem ser colocados em seu devido contexto.Felipe VI fez essas declarações – que também foram divulgadas nas redes sociais da Casa Real – durante uma visita não oficial à exposição "Mulheres no México Indígena", em cartaz no Museu Arqueológico Nacional até 22 de março, acompanhado do embaixador mexicano, Quirino Ordaz Coppel.Durante a visita à exposição, o rei espanhol considerou, no entanto, que esses eventos devem ser compreendidos "em seu devido contexto, não com moralismos excessivos, mas com uma análise objetiva e rigorosa"."Para tirar lições, porque também houve lutas, digamos, controvérsias morais e éticas sobre como o poder foi exercido desde o início. Ou seja, os próprios reis católicos, a rainha Isabel, com suas diretrizes, as Leis das Índias, todo o processo legislativo, há um desejo de proteção que a realidade dita que não é atendido como pretendido, e há muitos abusos. E também, como eu disse antes, para valorizar o fato de que, a partir daí, desse conhecimento, nos valorizaremos mais”, declarou o rei.A exposição, organizada pelo Ministério das Relações Exteriores e pelo Ministério da Cultura do governo do México, em colaboração com o Ministério da Cultura da Espanha, o Instituto Cervantes e a Secretaria-Geral Ibero-Americana (SEGIB), aprofunda-se no contexto social das mulheres indígenas desde os tempos pré-hispânicos.Em conversa com o embaixador, Felipe VI enfatizou a importância de trazer a exposição à Espanha, um testemunho do México antigo, "das culturas que compõem o México de hoje. Porque ele é produto de todas elas, inclusive do encontro com os espanhóis".O monarca acrescentou que essas exposições demonstram como as civilizações enfrentaram momentos de luta, conflito e controvérsia, e ressaltou a necessidade de os jovens de ambos os lados do oceano Atlântico compreenderem o valor do conhecimento ancestral "para se valorizarem", já que "em última análise, essa cultura mestiça que nasceu lá, na América, é o que nos define hoje".O embaixador mexicano destacou a grandeza dos povos indígenas e a história compartilhada pelas duas nações.O rei Felipe VI conheceu o papel proeminente das mulheres no período por meio de objetos que vão desde o casal de guerreiros de Tehuacán e a sacerdotisa de Palenque até um queimador de incenso maia, entre outras peças.A exposição faz parte de um projeto conjunto hispano-mexicano que visa fortalecer os laços entre os dois países, que reconhece a importância histórica das culturas indígenas.Esses laços foram destacados em janeiro pela presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, que considerou a presença dos monarcas espanhóis no pavilhão mexicano da Feira Internacional de Turismo (Fitur) um "símbolo" que, em sua visão, demonstrava que "eles estão ao lado dos povos indígenas".No entanto, a presidente mexicana reiterou a importância, em sua opinião, de reconhecer as consequências da conquista espanhola do México para os povos indígenas, um período histórico que ela descreveu como "muito violento".O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, já havia declarado que, ao longo da história compartilhada de ambas as nações, "houve dor e injustiça" infligidas aos povos indígenas do México e que é "justo reconhecer e lamentar isso".O México solicitou um pedido de desculpas do rei da Espanha por esses eventos por meio de uma carta do então presidente López Obrador, que nunca foi respondida. Como resultado, Sheinbaum não convidou Felipe VI para sua posse em outubro de 2024, e o governo espanhol decidiu não enviar nenhum representante em protesto.IMAGENS DE RECURSO DA VISITA DO REI FELIPE VI À EXPOSIÇÃO 'A MULHER NO MÉXICO INDÍGENA', NO MUSEU ARQUEOLÓGICO NACIONAL EM MADRI, E TOTAIS DO REI.
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