27/04/2026 22:02 (UTC)
Roma, 27 abr (EFE).- O Parque Arqueológico de Pompeia utilizou pela primeira vez ferramentas de inteligência artificial (IA) para reconstruir os últimos momentos de um homem que tentou fugir da erupção do Vesúvio, protegendo-se com uma tigela de barro, informou a instituição nesta segunda-feira.O projeto, realizado em colaboração com a Universidade de Pádua (norte da Itália), baseia-se numa descoberta recente na necrópole de Porta Stabia, localizada fora dos muros da antiga cidade romana.Durante as escavações, os arqueólogos localizaram os restos de dois homens que tentavam alcançar a costa para escapar da catástrofe do ano 79 d.C.As análises indicam que ambos morreram em momentos distintos da erupção: o mais jovem foi atingido por uma corrente piroclástica (uma nuvem ardente de gás e cinza tóxica), enquanto o adulto faleceu horas antes sob uma chuva de fragmentos vulcânicos conhecidos como 'lapilli'.Este segundo indivíduo, protagonista da reconstrução com IA, portava um almofariz na cabeça para se proteger de projéteis, uma lâmpada de cerâmica para se orientar na escuridão, um anel de ferro e dez moedas de bronze. Tal detalhe confirma fisicamente os relatos de Plínio, o Jovem, único testemunha ocular do desastre, que descreveu em suas cartas como os cidadãos amarram almofadas ou outros objetos à cabeça para evitar serem atingidos pelo material vulcânico."A imensidade dos dados arqueológicos de Pompeia e de outros sítios é tamanha que só com a ajuda da inteligência artificial poderemos protegê-los e enriquecê-los adequadamente", afirmou o diretor do parque, Gabriel Zuchtriegel.E acrescentou que, para ele, "se utilizada corretamente, a IA pode contribuir para a renovação dos estudos clássicos, narrando o mundo clássico de uma forma mais imersiva".O modelo digital é um protótipo experimental que combina software de IA e técnicas de edição de fotos para transformar dados ósseos e materiais em uma imagem cientificamente acessível ao público não especializado.Por sua vez, o professor Jacopo Bonetto, da Universidade de Pádua, destacou que o projeto abre um debate sobre o uso "controlado e metodologicamente sólido" da IA na arqueologia, sempre integrado ao trabalho dos especialistas.Essa inovação será um dos eixos centrais do fórum ético e tecnológico "Orbits", que será realizado no recinto arqueológico no próximo mês de julho.IMAGENS: FORNECIDAS PELO ARQUEOLÓGICO DE POMPEIA. APENAS USO EDITORIAL / APENAS DISPONÍVEL PARA ILUSTRAR A NOTÍCIA QUE ACOMPANHA (CRÉDITO OBRIGATÓRIO) RECURSOS DAS ESCAVAÇÕES E DO PROJETO.DECLARAÇÕES DO DIRETOR DO PARQUE, GABRIEL ZUCHTRIEGEL.Tradução: "Trata-se da descoberta de dois homens que tentavam escapar da cidade durante a erupção do Vesúvio. Um deles tentava cobrir a cabeça com um almofariz dentro de um jarro de terracota, e nós, juntamente com a Universidade de Pádua, propusemos, pela primeira vez, uma reconstrução científica por meio de inteligência artificial. Acredito que essa ferramenta será cada vez mais importante no futuro, não apenas para gerenciar a enorme quantidade de dados que surgem de Pompeia e outros sítios arqueológicos, e para proteger um patrimônio tão frágil e singular quanto o da cidade de Pompeia, mas também para contar a história de um patrimônio extremamente complexo e rico, alcançando um público cada vez mais diversificado."
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