21/03/2026 12:04 (UTC)
Roma, 21 mar (EFE). - Embora não tenha sensibilizado grande parte da população devido ao seu caráter técnico, os italianos votarão no domingo e na segunda-feira em um referendo para reformar seu sistema judiciário, divididos entre o "sim" e o "não" e entre doses elevadas de apatia e desconhecimento. Para além de pequenos postos de panfletagem e propaganda em ônibus urbanos, o ambiente nas ruas italianas não sugere que o país está convocado para uma consulta para apoiar ou rejeitar uma reforma constitucional impulsionada pelo governo de Giorgia Meloni, que busca transformar o sistema judicial. IMAGENS: CARLOS EXPÓSITO. CONTÉM DECLARAÇÕES SOBRE O REFERENDO JUDICIAL. TRADUÇÃO DAS DECLARAÇÕES:. 1. Maria, 95 anos:. "Que é justo fazê-lo, é justo. Só que o PD (Partido Democrático) passou muitos anos pedindo isso quando estava no poder. Pedia. Agora é contra. Essas coisas são contraproducentes. Por quê? Vamos testar. Porque os juízes cometeram muitíssimos erros até agora. Mas eles têm imunidade e não pagam. Pelo contrário, sobem na carreira. Por outro lado, quanta gente inocente foi condenada. E depois o Estado teve que indenizá-los com milhões de euros. E eles passam anos e anos na prisão. Para mim, é justo que testemos". "Não se pode dizer isso. Eles não conseguem entender que se equivocam. Erram. E isso precisa ser testado. É preciso testar, ver. É preciso tentar e ter confiança. Porque eles também, quando erram, devem pagar. Não é justo que paguem apenas... Eles têm imunidade e não pagam. Mais do que isso, ascendem na carreira. Isso não é justo. Não é justo como se comportaram até agora. Condenaram aquele pobre Enzo Tortora, que eles (os jovens) não conhecem. Ele é inocente. Quanta gente inocente condenaram. E não pagaram nada. O Estado pagou por eles". 2. Francesco, meia-idade:. "Pela reforma que começou com a esquerda e continuou com a direita; todos estão de acordo. O sistema que existe atualmente foi herdado do fascismo, da pior parte do fascismo, aquela posterior a 1936, quando Mussolini tinha um direito de onipotência, e foi feito para controlar melhor a magistratura política. Porque se vê a distinção justa, mas todos estavam de acordo até oito anos atrás. Agora politizaram e se tornou uma batalha política, não mais sobre o mérito da questão". "Os que dizem 'não' afirmam que o fazem para defender a Constituição, mas isso faz parte dos artigos da Constituição que podem ser modificados. É um fato técnico, serve apenas para implementar a reforma. E eu recomendaria que lembrassem o que diziam há quatro ou cinco anos, porque entre os que votam 'não', inclusive na frente do 'não', muitos eram a favor do 'sim', incluindo magistrados e jornalistas, sem querer falar mal". 3. Francesco, estudante de Economia na Universidade LUMSA:. "Não, não a conheço; na verdade, nem sequer irei votar porque não me informei minimamente". "Suponho que o povo italiano se informará sobre isso e tentará contribuir para o que será a escolha final, mas pessoalmente não me interessa". 4. Maria Chiara:. "Admito que nem sou de Roma, sou de Nápoles e, bem, passei em um concurso. No que diz respeito ao referendo, creio que esta reforma é mais um risco sobre um tema no qual, se quisessem, poderiam intervir inclusive com uma lei ordinária em alguns aspectos que poderiam ser reforçados de alguma maneira. Eu não posso convidar a dizer 'sim' ou 'não', essa é uma liberdade de escolha pessoal e inquestionável, mas apenas espero que haja mais gente votando, que as pessoas compareçam. Pela minha experiência, vi seções eleitorais vazias demais, então só espero isso: que as pessoas expressem sua própria opinião, que é uma das poucas ocasiões em que podemos escolher diretamente sobre um aspecto da nossa República, esse é o meu verdadeiro desejo. Depois, cada um traz suas próprias considerações e pensamentos pessoais." "Não sei, mas espero que as pessoas tenham ido se informar, embora ache que muitos possam estar influenciados pelas opiniões dos comitês ou pelo seu próprio pensamento político. Talvez existam aqueles que se informam melhor ou que estudaram, ou simplesmente quem se informa através dos comitês." EFE
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